O estudo aponta para a importância do investimento na AEB para o desenvolvimento nacional em diferentes áreas da ciência e da tecnologia
Tamires Tavares
O pesquisador de Iniciação Científica do Centro SoU_Ciência, Denisson Guimarães, estudante de Licenciatura em Física da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), apresentou, no dia 23 de julho, um estudo aprofundado sobre o financiamento da Agência Espacial Brasileira (AEB) durante a XV Jornada Latino-Americana de Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, realizada pelo Instituto de Geociências Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisa, inserida na linha temática do evento intitulada “Novos horizontes no debate sobre inovação: abordagens, políticas e práticas”, conta com a supervisão da Prof.ª Mariana Moura, pesquisadora do SoU_Ciência, e destaca as oscilações e os desafios enfrentados pela AEB entre os anos 2000 e 2022.
Utilizando a metodologia desenvolvida pelo SoU_Ciência para análises orçamentárias, apresentadas no painel Financiamento da Ciência & Tecnologia e das Universidades Federais, a pesquisa explorou detalhadamente os grupos de despesas da Agência, incluindo investimentos, encargos e pessoal. “Avaliamos a série histórica desde o ano 2000 até 2022, observando que o orçamento da Agência Espacial Brasileira retornou ao patamar idêntico ao de 20 anos atrás, cerca de 60 milhões de reais anuais, um valor bem irrisório para o que a Agência representa para o Brasil como um todo,” explicou Guimarães.
O estudo também examinou o Plano Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e seus impactos nos últimos 10 anos, destacando que muitos dos objetivos orçamentários previstos não foram alcançados. Guimarães ressaltou a importância estratégica da AEB não apenas para o desenvolvimento espacial, mas também para a soberania nacional e a preservação ambiental. “A AEB tem um papel fundamental na defesa dos nossos recursos naturais, no monitoramento das nossas florestas e no fornecimento de informações essenciais para a agricultura de grande escala,” afirmou.
Para Guimarães, é essencial a continuidade dos investimentos em tecnologia espacial para a autonomia industrial do Brasil e para o avanço em áreas como saúde, educação e conectividade, especialmente em regiões remotas do país. Ele comentou sobre os desafios enfrentados e a necessidade de o Brasil investir em novos projetos, colaborando com empresas privadas para o desenvolvimento de veículos de maior porte.
“É preciso entender que toda a nossa base tecnológica atual é oriunda das tecnologias espaciais. Quanto mais investirmos nesse setor, mais benefícios teremos futuramente em diversas áreas,” concluiu o pesquisador, reforçando a importância de o Brasil continuar avançando no cenário espacial global.
O documento com o resumo da pesquisa pode ser acessado no site do evento.
Apresentação fez parte do Grupo de Trabalho “University, Public Policy and Knowledge Production Oriented to Contemporary Challenges” da XV Jornada Latino-Americana de Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia. (Divulgação SoU_Ciência)