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No Congresso Acadêmico Unifesp, Soraya Smaili liderou debate sobre estratégias eficientes para tentar mitigar os impactos das mudanças climáticas na saúde das populações

Tamires Tavares

A coordenadora-geral do SoU_Ciência, Prof.ª Soraya Smaili, moderou o debate "Mudanças climáticas e saúde: ainda temos tempo", realizado em 4 de outubro, durante o Congresso Acadêmico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O evento, transmitido ao vivo, reuniu especialistas da área da saúde, como a médica infectologista, epidemiologista e comunicadora em saúde, Dr.ª Luana Silva Rodrigues de Araújo; a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, doutora em Epidemiologia e professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Prof.ª Ethel Leonor Noia Maciel; e a médica ginecologista e obstetra, mestre em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutoranda na Unifesp, Dr.ª Andrea Menezes Gonçalves.

A 10ª edição do Congresso Acadêmico Unifesp, com o tema "Incluir, Inovar e Fortalecer", promoveu debates que evidenciaram o papel central da ciência e da educação no enfrentamento dos desafios do cenário mundial atual. / Imagem: Transmissão YouTube

 

A mesa-redonda abordou os impactos das mudanças climáticas na saúde humana, com ênfase nas populações mais vulneráveis e nas ações necessárias para enfrentar os desafios globais. Soraya Smaili, professora titular do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina e ex-reitora da Unifesp, abriu o debate ressaltando a importância do tema e a seriedade das consequências das mudanças climáticas para a saúde global. Em sua introdução, alertou: “Ainda temos tempo de mudar as coisas, para que não tenhamos uma catástrofe em relação às mudanças climáticas e os efeitos que podem ter e terão na nossa saúde, se não tomarmos conta de nós”, enfatizando a urgência de soluções práticas e imediatas.

Durante a sessão, as participantes destacaram que as mudanças climáticas intensificam a disseminação de doenças infecciosas, agravam problemas respiratórios e cardiovasculares e provocam crises nos sistemas de saúde. E enfatizaram a necessidade de integrar diferentes áreas por meio do conceito de “saúde única”, que abrange as dimensões humanas, animais e ambientais. Luana Araújo, especialista em Saúde Pública Global, reforçou que as alterações no meio ambiente impactam diretamente a saúde humana, tornando fundamental a colaboração de diferentes áreas do conhecimento no desenvolvimento de políticas, para uma abordagem mais eficaz.

A professora Soraya Smaili aproveitou o diálogo para refletir sobre os ensinamentos deixados pela pandemia de covid-19, ressaltando que a crise sanitária global evidenciou a necessidade de cooperação e de ações coordenadas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, como uma nova situação de crise mundial. “Primeiro, é fundamental reconhecer rapidamente a urgência e a gravidade da crise. Isso deve ser um compromisso não apenas de quem está no poder, mas de todas as lideranças”, afirmou.

A ex-reitora da Unifesp reforça a relevância da Universidade, que celebra 30 anos, em tempos de crise: "Participei da criação de um comitê de enfrentamento à covid-19, que continua em atividade até hoje". / Imagem: Transmissão YouTube

 

A docente destacou a importância de políticas públicas integradas, da formação de um gabinete de crise para estruturar um plano de contingência eficaz e da necessidade de uma visão estratégica para as soluções de problemas recentes que atingem a população, especialmente diante do aumento de desastres naturais. “É preciso criar estratégias de ações imediatas, antecipando-se aos desafios que surgem, como a próxima estação de chuvas em São Paulo, a seca no Norte ou os focos de queimadas que têm ocorrido em várias regiões do país”, enfatizou.

Para Smaili, além dessas ações, é necessário implementar leis e regulamentos que imponham aos gestores a tomada de medidas rápidas em resposta às crises, especialmente as oriundas das emergências climáticas. “Dessa forma, estaríamos mais preparados para agir prontamente diante de novos desafios”, explica. Com base nessa perspectiva, a professora reforçou que as ações devem ser interministeriais e planejadas com dados científicos e com base na realidade climática de cada região do país.

Após uma sessão de respostas às perguntas do público, a moderadora encerrou a conversa reforçando que ainda há tempo para a ação e implementação das possíveis soluções. “Pode ter parecido que fomos um pouco pessimistas aqui, e talvez tenha soado como se não víssemos esperança. Mas, na verdade, vemos sim. Como disse Ariano Suassuna: ‘O otimista é um tolo, o pessimista é um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso’. Nós somos realistas e apresentamos propostas porque acreditamos na esperança. E essa esperança é a que age, que faz acontecer”, conclui.