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Apresentando os avanços de seus estudos com a comunidade acadêmica e a sociedade, pesquisadores de iniciação científica levantaram debates essenciais para o futuro do Brasil

Tamires Tavares

Entre os dias 30 de setembro e 4 de outubro, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizou a décima edição de seu Congresso Acadêmico, com o tema “Unifesp 30 anos: incluir, inovar e fortalecer”. O evento híbrido, que marcou três décadas de história da instituição, reuniu estudantes, professores e técnicos de todos os seus campi para compartilhar atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas ao longo do ano.

Nesse contexto, destacam-se quatro estudos de iniciação científica desenvolvidos pelo SoU_Ciência, que abordaram temas como saúde pública, desigualdades sociais e raciais, inserção no mercado de trabalho e o papel das universidades na promoção de modelos econômicos sustentáveis. Confira, a seguir, os destaques de cada apresentação.

 

Covid longa: desafios para políticas de saúde pública

Com a orientação da Prof.ª Soraya Smailli, coordenadora geral do SoU_Ciência, e a partir de dados coletados pelo Centro de Estudos em parceria com o Instituto Idea, estudantes da Escola Paulista de Medicina da Unifesp analisam a percepção pública da covid-19, enfatizando os casos de covid longa no Brasil e investigando estratégias para o manejo de seus sintomas.

A partir de uma amostra de 1.295 entrevistados, o trabalho de iniciação científica dos alunos do curso de Medicina, Matheus Citibaldi, Célia Cavalcanti e Caio Vinícius Luis, aponta que 40,6% contraíram covid-19, e, dentre estes, 33,4% apresentaram sintomas persistentes por mais de três meses, caracterizando a condição de covid longa.

Entre os principais sintomas relatados estão fadiga (72,4%), perda de memória (64,6%), dificuldades de concentração (53,5%) e problemas respiratórios (52,5%). O estudo aponta que a covid longa pode afetar pacientes independentemente de terem sido hospitalizados previamente, ainda que a gravidade da infecção seja um fator de risco importante. Além disso, 32,5% dos entrevistados relataram reinfecção, aumentando a probabilidade de sintomas prolongados.

A pesquisa destaca a necessidade urgente de políticas públicas para o atendimento continuado dos pacientes afetados pela covid longa, assim como a ampliação da conscientização sobre a condição e a busca de ajuda médica necessária para maior qualidade de vida no paciente.

Matheus Citibaldi apresentou o trabalho “Percepção pública sobre sequelas da covid-19 e estratégias para o manejo da covid longa”, representando os colegas de grupo, no campus São Paulo. / Créditos: Divulgação

 

Desigualdades raciais e de gênero nas trajetórias de egressos de Enfermagem

Conduzida por Ligia Andreussi Chrisostomo, aluna de Farmácia no Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Unifesp, sob orientação da Dr.ª Marina Mendes da Costa, do SoU_Ciência, a pesquisa “Curso de enfermagem, seus egressos e trajetórias pós-educação superior: um estudo sobre a produção do campo” investiga os percursos profissionais de formados em enfermagem, destacando as disparidades de gênero e raça no mercado de trabalho.

O estudo revelou que, apesar de as mulheres representarem 85% da força de trabalho na área, sua presença em cargos de liderança é reduzida, e apontou que enfermeiros brancos tendem a ocupar posições de maior prestígio e a receber salários superiores em relação a profissionais negros e pardos.

Os dados levantados evidenciam que, mesmo com o aumento da presença de estudantes negros nas universidades devido às políticas de cotas, os desafios no mercado de trabalho ainda limitam a ascensão social e profissional desses grupos, destacando a importância de políticas mais inclusivas e equitativas no setor de saúde, para diminuir as desigualdades e criar um ambiente de trabalho mais justo.

 

Trajetória profissional de egressos de Ciências Sociais da Unifesp

Desenvolvida por Luisa Brito Rodrigues, estudante do curso de Ciências Sociais na Escola de Filosofia Letras e Ciências Humanas (EFLCH) da Unifesp, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Maria Angélica Minhoto, coordenadora do SoU_Ciência, a pesquisa intitulada “Análise do perfil dos egressos do curso de Ciências Sociais da Unifesp: uma investigação sobre a inserção laboral” examina as trajetórias profissionais de concluintes do curso na instituição  entre 2007 e 2019. O estudo analisa a relação entre a formação acadêmica e as oportunidades de emprego, destacando o fenômeno do desajustamento educacional, em que as qualificações dos egressos superam as exigências dos cargos ocupados.

Os resultados mostram que 42,3% dos egressos atuam no setor educacional, 48,6% estão em outras áreas e 9,09% ocupam cargos diretamente ligados às Ciências Sociais. Os licenciados encontram maior facilidade de inserção no setor educacional, especialmente após a inclusão de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio. Já os bacharéis enfrentam mais desafios para encontrar posições compatíveis com sua formação, e são frequentemente absorvidos por funções administrativas.

Na continuidade do estudo, será feita uma análise das disparidades salariais entre os egressos, levando em conta fatores como raça, gênero e perfil socioeconômico, contribuindo para o debate sobre a inserção profissional e políticas de apoio aos egressos.

A pesquisa de Luisa Brito se destacou na sessão em que foi apresentada, despertando interesse dos colegas do curso de Ciências Sociais sobre as perspectivas do mercado de trabalho que os aguardam. / Créditos: Divulgação

 

Universidades públicas e a promoção de economias solidárias no pós-pandemia

A pesquisa intitulada “Contribuições das universidades e da ciência para construção de novas perspectivas para o Brasil pós-pandemia de covid-19”, desenvolvida por Giovanna Santoro Fernandes, aluna do curso de Geografia do Instituto das Cidades da Unifesp, sob orientação da Dr.ª Vanessa Sígolo, analisa o papel das universidades públicas na promoção de modelos econômicos sustentáveis, especialmente em parceria com redes de economia solidária. 

O estudo explora iniciativas de redes como a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo (ITCP-USP), a Rede de Institutos Federais de Economia Solidária (Rede IF EcoSol) e o Instituto Paul Singer, que atuam para promover uma nova forma de consumo, construída com base em cooperação, autogestão e solidariedade. Ele também mapeou as parcerias entre universidades e movimentos sociais, evidenciando como essas colaborações contribuem para a formulação de políticas públicas que fomentem alternativas econômicas. 

Está prevista ainda a criação de um painel virtual, “Universidade e sustentabilidade da vida coletiva”, que oferecerá um mapa do Brasil onde será possível visualizar os locais onde essas economias solidárias estão atuando, além de uma linha do tempo histórica, glossários colaborativos e estudos de casos sobre economia solidária. O trabalho, vinculado à Linha de Pesquisa 7 do SoU_Ciência, se articula com outras atividades de pesquisa e de comunicação em conjunto com movimentos populares que compõem o Conselho da Sociedade do Centro de Estudos.