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Pesquisadores apresentaram trabalhos sobre financiamento da ciência, cotas e qualidade do ensino superior

Tamires Tavares

A 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi realizada em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) no Campus Guamá, em Belém, entre os dias 7 e 13 de julho. O evento, cujo tema central foi "Ciência para um futuro sustentável e inclusivo: por um novo contrato social com a natureza", contou com a presença de mais de 27 mil inscritos. Além de apresentações de pesquisas, mesas-redondas, conferências e cursos, foram realizadas atividades de divulgação científica para públicos diversos, como a SBPC Cultural, a SBPC Jovem e o Dia da Família na Ciência. O SoU_Ciência esteve presente com uma equipe de pesquisadores que contribuíram de forma significativa para as discussões e mesas temáticas. 

A Profª Soraya Smaili, coordenadora geral do Centro de Estudos, que atualmente é conselheira da SBPC, conta que participa da reunião anual desde a época de estudante e hoje comemora a presença do SoU_Ciência em um evento tão representativo da comunidade científica. "A participação do SoU_Ciência foi motivo de muito orgulho. O encontro foi uma manifestação de muita integração e celebração pela ciência e por tudo o que os cientistas e a sociedade brasileira produzem", comentou. A docente destacou a relevância do evento para a política científica nacional e a discussão de temas como sustentabilidade, mudanças climáticas e saúde. "Contamos com a presença de quatro ministros e diversas atividades que integraram a ciência com a cidade e com questões cruciais para o desenvolvimento do nosso país".

 

 

Profª Soraya Smaili acompanhada dos professores Nelson Cardoso Amaral (SoU_Ciência/UFG) e Tânia Mara Francisco (SESU/MEC). / Crédito: Divulgação SoU_Ciência.

 

Mesas-redondas e temáticas com pesquisadores do SoU_Ciência

A Profª Soraya Smaili coordenou a mesa-redonda “Financiamento da Ciência: painel dos dados das universidades federais e das unidades orçamentárias de pesquisa no Brasil”, que contou com a participação da Profª Tânia Mara Francisco, diretora de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Educação Superior do Ministério da Educação (SESU/MEC) e Pró-reitora de Administração da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e do pesquisador do SoU_Ciência e da Universidade Federal de Goiás (UFG), Prof. Nelson Cardoso Amaral.

A mesa abordou os desafios e a atual situação financeira das universidades federais e das unidades orçamentárias de pesquisa no Brasil, destacando o impacto significativo dos cortes orçamentários, principalmente durante os governos Temer e Bolsonaro, e a necessidade urgente de maior investimento e recursos para a manutenção e desenvolvimento das instituições de ensino superior. Foram apresentados dados detalhados sobre despesas correntes, investimentos, assistência estudantil, entre outros, enfatizando a importância da autonomia de gestão financeira para as universidades. Foi enfatizada também a relevância do Painel Financiamento da Ciência & Tecnologia e das Universidades Federais, desenvolvido pelo SoU_Ciência, que permite consultar dados detalhados sobre despesas de custeio, investimentos em infraestrutura, e encargos de pessoal das universidades federais. É possível acessar informações específicas por universidade, facilitando a análise de cada instituição individualmente.

 

Mesa "Financiamento da Ciência: Painel dos Dados das Universidades Federais e das Unidades Orçamentárias de pesquisa no Brasil" / Crédito: Divulgação SoU_Ciência

 

A Profª Maria Angélica Minhoto, coordenadora e pesquisadora do SoU_Ciência, e a Profª Maria Nilza da Silva, pesquisadora do Centro e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), apresentaram a pesquisa "Cotas para a população negra nas universidades estaduais brasileiras: da precariedade dos dados aos novos desafios", na mesa "Cotas 2023: Análises e Perspectivas a partir de levantamento de Dados" destacando as dificuldades na coleta e análise de dados sobre ações afirmativas. "A falta de dados consistentes impede uma avaliação precisa do impacto dessas políticas. É essencial melhorar a infraestrutura de coleta de dados nas universidades estaduais para fortalecer as políticas públicas de inclusão racial", afirmou a Profª Maria Nilza, ao compartilhar a realidade dos dados de estudantes de graduação em cursos presenciais das universidades estaduais, apresentando a situação de várias regiões do país.

Já a Profª Maria Angélica destaca que os dados empíricos comprovam a eficácia das reservas de vagas para cor, raça e etnia graças à implementação da Lei de Cotas nas universidades federais, mas que, para uma análise aprofundada nas universidades estaduais, seria necessário que tais instituições dessem mais atenção aos dados disponibilizados. "Sem essas cotas específicas, teríamos muito menos pessoas pretas e pardas frequentando as universidades públicas federais. É crucial que as universidades estaduais preencham corretamente o Censo da Educação Superior para permitir uma avaliação adequada das políticas de cotas", explicou. A coordenadora destaca ainda que, ao final da mesa temática, houve engajamento na discussão pelo público com a proposta de uma moção pela SBPC para que as universidades estaduais melhorem o preenchimento do Censo. Dados sobre o tema podem ser acessados no Painel Cotas nas Instituições Públicas de Educação Superior, lançado pelo SoU_Ciência neste ano.

 

Mesa temática “Cotas 2023: Análise e Perspectivas a partir de Levantamento de Dados”, coordenada pela Profª Andrea Mara Macedo (UFMG), teve a participação dos pesquisadores Delton Aparecido Felipe (UEM), Maria Angélica Minhoto (Unifesp) e Maria Nilza da Silva (UEL). / Crédito: Divulgação SoU_Ciência

 

Os pesquisadores do SoU_Ciência, Prof. Carlos Bielschowsky, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Prof. Marcelo Knobel, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),  participaram da mesa-redonda "Avaliação da Educação Superior no Brasil", onde abordaram a preocupação com a concentração de matrículas em instituições privadas com fins lucrativos, e as altas taxas de evasão e o baixo desempenho no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). "Nossa participação foi baseada no estudo da expansão do ensino privado no Brasil, desenvolvido pelo SoU_Ciência e na análise dos indicadores de qualidade na oferta do ensino superior utilizados pelo INEP", destacou Bielschowsky. A mesa também contou com a presença do diretor de avaliação do INEP, Ullyses Tavares Teixeira, e da reitora da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Profª Aldenize Ruela Xavier. O estudo apresentado pode ser consultado no site do SoU_Ciência.

 

Presentes no evento estiveram a professora Débora Foguel, professor Nelson Cardoso Amaral, professor Carlos Bielschowsky e professor Décio Luis Semensatto Junior. / Créditos: Divulgação SoU_Ciência.

 

A presença do SoU_Ciência na 76ª Reunião Anual da SBPC reforça o compromisso do Centro com a promoção da ciência e a inclusão social, contribuindo para debates fundamentais sobre o futuro sustentável e inclusivo do Brasil. “Participar da Reunião Anual é sempre interessante devido à diversidade de temas e à oportunidade de encontrar colegas de diversas regiões. A participação dos pesquisadores do SoU_Ciência foi importante para mostrar dados e discutir temas cruciais para a ciência e a educação superior no país", reforça Knobel.

 

Maria Angélica Minhoto, coordenadora do SoU_Ciência, reunida com demais participantes da 76ª Reunião Anual da SBPC. / Créditos: Divulgação SoU_Ciência